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Pregação Expositiva

Uma Introdução Geral à Carta de Tiago

Por Rev. Diogo Jorge Gonçalo

Texto: Tiago 1:1.

Tiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo, às doze tribos que se encontram na Dispersão, saudações.

Introdução

A carta de Tiago é considerada pela maioria dos estudiosos, o livro de provérbios do Novo Testamento. Isso é dito a seu respeito, porque ela contém ensinos práticos para o dia-a-dia de todos os cristãos.1 O interesse de Tiago não é “discutir” teologia, mas conclamar a igreja a uma vida de santidade. Pois, não basta apenas sermos ortodoxos, mas, sobretudo, devemos ser ortopráticos.

Ela também pertence ao tipo de literatura denominada de sapiencial ou de sabedoria, ficando assim ao lado de livros como: Jó, Eclesiastes e Provérbios.

Ainda podemos destacar que essa carta faz parte do conjunto de escritos neotestamentários, denominados de: “epístolas gerais” ou ‘católicas’ (Tiago 1 e 2Pe. 1, 2, 3 João e Judas). Essas epístolas foram classificadas dessa forma por Euzébio (265-340). A razão para isso é explicada da seguinte maneira por Broadus David Hale:

O termo católicas foi pela primeira vez aplicado às sete cartas como um grupo por Euzébio (265-340), embora escritores mais antigos tenham chamado as cartas individuais deste grupo de “gerais”. Um comentário anônimo do sétimo século sobre a Epístola de Tiago afirma que o termo foi usado porque estas cartas são encíclicas; ou seja, não são endereçadas a igrejas ou pessoas individuais, mas escritas coletivamente a todas as igrejas.2

Hernandes Dias Lopes, disse apropriadamente que ela seria uma espécie de “exposição do sermão do monte”,3 o qual foi ministrado pelo nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, e está registrado nos capítulos 5-7 do evangelho de Mateus.

Talvez, quem melhor trabalhou essa relação foi Warren W. Wiersbe, em seu comentário da Carta de Tiago. Esse comentarista faz uma relação entre a Carta de Tiago e o sermão do monte mostrando o paralelo. “É bem possível que, quando ainda era um incrédulo, Tiago tenha prestado atenção nos ensinamentos de Jesus; encontramos em seu texto uma série de alusões às palavras de Cristo, especialmente do sermão do monte. As seguintes passagens podem ser comparadas:” 4

  • Tiago 1.2 – Mateus 5.10-12.
  • Tiago 1.4 – Mateus 5.48.
  • Tiago 1.5 – Mateus 7.7-12.
  • Tiago 1.22 – Mateus 7.21-27.
  • Tiago 4.11,12 – Mateus 7.1-5.
  • Tiago 5.1-3 – Mateus 6.19-21.

Para uma melhor compreensão dessa missiva sagrada, gostaria de destacar ainda, à guisa de introdução, algumas curiosidades e abordagens históricas referentes a essa carta, antes de adentrarmos nos pormenores e na introdução elucidativa da mesma.

A carta de Tiago ao longo da História da Igreja

É preciso destacar que não existe uma referência clara sobre essa carta nos dois primeiros séculos da história da Igreja. O interessante é que, mesmo após a sua “aparição”, a partir do século três e início do quarto, pois o primeiro escritor que cita a Epístola por seu nome é Orígenes, o grande erudito e condutor da escola de Alexandria, ela sempre foi vista com certa desconfiança até mesmo por autoridades protestantes, como o reformador Martinho Lutero.

O historiador Eusébio a coloca entre os livros disputados ou antelegomena.5 Podemos verificar, ao longo da história da igreja, que a aceitação dessa carta foi acontecendo de forma gradativa e envolta por uma série de polêmicas teológicas.

Na igreja Latina, podemos encontrar “o primeiro escritor latino que cita Tiago palavra por palavra é Hilário de Poitiers e o faz numa obra intitulada De Trinitate, escrita ao redor do ano 357 D.C.” Porém, a aceitação dessa igreja em relação à carta de Tiago foi fruto do trabalho e endosso de Jerônimo e Agostinho, conforme nos ensina William Barclay:

Então, se Tiago apareceu tão tardiamente na Igreja latina e se, mesmo depois de fazê-lo, ainda foi considerado com certa incerteza, como chegou a integrar-se no Novo Testamento? A influência promotora foi a de Jerônimo, pois ele, sem vacilar, incluiu Tiago em sua versão Vulgata do Novo Testamento. Mas até então há um matiz de dúvida. Em seu livro De Viris Illustribus Jerônimo diz: "Tiago, que é chamado o irmão do Senhor... escreveu somente uma epístola, a qual é uma das sete epístolas católicas, e a que, segundo alguns dizem, foi publicada por algum outro sob o nome de Tiago." Assim, pois, persiste aqui o acento de dúvida. Jerônimo aceitou a Carta plenamente, mas notava a existência de algumas dúvidas quanto a quem era o autor. Como foi então dissipada finalmente a incerteza na Igreja latina? Foi porque Agostinho aceitou plenamente a Tiago e não duvidou de que o Tiago em questão era o irmão de nosso Senhor. Tiago emergiu tardiamente na Igreja latina; durante longo tempo houve uma espécie de interrogante contra ele. Mas a inclusão que desta Epístola fez Jerônimo na Vulgata, e a plena aceitação por parte de Agostinho, levaram finalmente, ainda que depois de uma luta, a seu reconhecimento total e definitivo.6

O Doutor William Barclay ainda trabalha de forma extraordinária a posição da Igreja católica apostólica romana sobre a carta de Tiago:

Em realidade, ainda terá que ver a posição de Tiago dentro da Igreja Católica Romana. Em 1546, o Concílio de Trento estabeleceu definitivamente a Bíblia Católica Romana. Então, foi promulgada uma lista de livros, à qual nenhum livro podia ser acrescentado e da qual nenhum livro podia ser omitido, livros estes que deviam ser lidos na versão Vulgata exclusivamente. Os livros foram divididos em duas classes. Por um lado estavam os proto-canônicos, quer dizer: aqueles sobre os quais nunca tinha havido dúvida alguma e que, inquestionavelmente, tinham sido aceitos de um princípio. Pelo outro lado estavam os deutero-canônicos, ou seja, aqueles que só gradualmente tinham obtido sua entrada no Novo Testamento. A Igreja Católica Romana jamais teve dúvida alguma a respeito de Tiago, mas, mesmo assim, este livro foi incluído na segunda classe.7

O Dr. Normam Russel Champlin afirma, em seu comentário da carta de Tiago, que isso aconteceu por causa da tentativa de harmonizar Tiago com Paulo e, sobretudo, a ênfase dos teólogos sistemáticos para defender a teologia sistemática a qualquer preço:

A principal dificuldade tem sido a indisposição dos intérpretes examinarem o livro com honestidade, porquanto tem sentido ser necessário harmonizar Tiago com Paulo. Essa tentativa de harmonização tem obscurecido os propósitos e ensinamentos de Tiago. Quão facilmente os intérpretes cristãos deslizam para a defesa da teologia sistemática a qualquer preço!8

A posição de Lutero em relação à Carta de Tiago

Martinho Lutero foi talvez o que mais criticou a carta de Tiago ao longo da história da Igreja. Segundo ele, essa epístola seria uma carta de “palha”, pois não continha o trigo do evangelho, ou seja, nosso senhor e salvador Jesus Cristo. Barclay cita as palavras de Lutero:

Em resumo, o evangelho e a primeira epístola de São João; as epístolas de São Paulo, especialmente aquelas aos Romanos e aos Efésios; e a Primeira Epístola de São Pedro são os livros que mostram a Cristo. Ensinam tudo o que precisam saber para sua salvação. E isto ainda que nunca vissem nem escutassem a respeito de nenhum outro livro ou nenhum outro ensino. Em comparação com estes, a Epístola de Tiago é uma epístola cheia de palha, porque não contém nada evangélico. Falarei mais a respeito disto em outros prefácios.9

Dr. Augustus Nicodemos Lopes, em seu comentário de Tiago, faz referência a essa posição de Lutero em relação à carta de Tiago e destaca que “o que muitos não sabem é que Lutero, nas edições posteriores, não somente abrandou sua crítica ferrenha contra a carta, como também eliminou boa parte dos comentários negativos que havia feito contra ela na primeira edição, inclusive o parágrafo em que a chama de “epístola de palha”.10

Alguém já disse, fazendo referência a essa “retratação” de Martinho Lutero em relação à sua posição crítica no que diz respeito à carta de Tiago, que ele ou um escritor anônimo falou o seguinte: “A carta pode ser de palha, porém os palitos dessa palha são agudos e fortes o suficiente para espetar e ferir a consciência de todos aqueles que a lerem.”

Alguns pontos merecem destaque para uma melhor compreensão e elucidação do conteúdo e propósito dessa carta. Gostaria de frisar os seguintes:

O Autor da Carta

“Tiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo”, (v.1a).

De acordo com o texto supracitado, quem escreveu esta carta foi Tiago. O interessante, é que ele não nos fornece nenhuma informação quanto a sua pessoa. Só diz que é “servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo”. Isso levou os estudiosos a se perguntarem: quem é esse Tiago que escreveu essa carta? Será que ele era tão conhecido naqueles dias a ponto de não precisar de uma apresentação mais formal e completa sobre si mesmo?

O nome Tiago (Ιακωβος Iakobos,) era muito comum naqueles dias. Existem, só no colégio apostólico, dois discípulos com esse nome. Tiago, o menor, filho de Alfeu (Mc. 3.18;15.40); Tiago, irmão de João, filho de Zebedeu (Mc. 3.17; 10.35) e ainda podemos destacar Tiago, pai de Judas Tadeu (Mc. 3.18 com Lc. 6.16 e At. 1.13).

Porém, as evidências internas ou externas apontam para o nome de Tiago o “meio”-irmão do Senhor Jesus. Esse Tiago era um dos filhos de Maria e José (Mc. 6.3 e Mt. 13.55). Meio-irmão de Jesus (Gl. 1.19). Era descrente quando Jesus ainda era vivo (Jo. 7.5). Converteu-se após a ressurreição de Jesus (1Co. 15.7 com At. 1.13).

Conforme o historiador Hegésipo, era conhecido como Tiago, o justo, por sua extraordinária piedade, seu zelo em obedecer a Palavra de Deus (ainda o AT.) e por destacar-se em sua vida de oração - tão intensa e frequente, que lhe deu o apelido de "Tiago, joelho de camelo".

Conforme nos relata o historiado Josefo, Tiago foi martirizado em 62 d.C., sob o império romano. Eusébio acrescenta que o seu martírio foi extremamente violento, pois lhe bateram até a morte com uma clava (tipo de cassetete ou taco de beisebol) sendo depois atirado do parapeito ou pináculo (conf. Hegésipo) do templo de Jerusalém, conforme uma das tentações enfrentadas pelo Senhor Jesus (Mt. 4.5).11

Os destinatários da carta

“às doze tribos que se encontram na Dispersão, saudações”. (v.1b).

Como podemos constatar neste versículo inicial, Tiago está se dirigindo aos cristãos “judeus”, que haviam se dispersado em todas as regiões do império romano. Eles eram Judeus cristãos que viviam fora da Judeia, por isso que essa carta é tida como “católica” ou “universal”, pois não foi endereçada a uma igreja ou pessoa específica.

Existem, pelo menos, duas interpretações para esse texto em questão. O Dr. Augustus Nicodemus destaca em seu comentário da carta de Tiago que pode ser uma referência a todos os cristãos, Judeus e gentios, vistos aqui como o verdadeiro Israel ou seriam os judeus convertidos ao cristianismo dispersos pelo império romano.12 O professor Itamir Neves segue essa segunda linha de interpretação, conforme afirma em seu comentário:

Às 12 tribos na Dispersão, isto é, a judeus fora da Palestina. Nota-se a inclusão das 10 tribos (do reino do Norte), praticamente inexistentes, depois do exílio assírio. Esses cristãos provavelmente foram expulsos de Jerusalém quando da perseguição que ocorreu após a morte de Estevão (At. 8.1 e 4).13

A Data da Escrita da Carta

Segundo o professor Itamir Neves, “esta carta foi escrita aproximadamente em 45 dC., provavelmente antes de 48/49 d.C., época do Concílio de Jerusalém (não há nenhuma menção à controvérsia e a solução do Concílio - At. 15). É provavelmente o livro mais antigo do Novo Testamento.”14 Já para os comentaristas da Bíblia de Genebra, Tiago escreveu entre os anos 44-d.C., o ano que marcou o início da perseguição judaica da igreja; (Atos 12) e 62 d.C que foi o ano da morte de Tiago.

O Propósito da Carta

Quanto ao propósito da Carta, concordo com os intérpretes que comentaram a Bíblia de Genebra. Segundo eles, o objetivo é: “ensinar a sabedoria de Deus para perseverar em meio às dificuldades até ao retorno de Cristo.”

Conclusão

Concluindo, gostaria de destacar três pontos ou lições principais com relação à pessoa de Tiago e a epístola que ele escreveu:

  1. A sua humildade e simplicidade. Ele não se apresenta como sendo irmão de Jesus e nem como o líder da igreja de Jerusalém, mas como “servo” ou um escravo de Deus e Cristo Jesus.
  2. O cuidado para com a igreja. Ele escreve para uma igreja que está sofrendo perseguições e enfrentando inúmeras provações. Isso moveu o coração do pastor Tiago a prover-lhes consolo, direção e firmeza na fé.
  3. Sua autoridade. Essa carta está cheia de imperativos, ou ordens para a igreja do Senhor andar de acordo com a vontade dele. Quem fala não é um teólogo simplesmente, mas um pregador convocando o povo à santidade e compromisso com Deus.
  1. PEARLMAM, Myer. Através da Bíblia. Ed Vida. SP 1993p 317.
  2. HALE, Broadus David. Introdução ao estudo do novo testamento. Ed Hagnos. SP 2001, p. 359.
  3. LOPES, Hernandes dias. Tiago: Transformando provas em triunfo (comentários expositivos). SP 2006p9.
  4. WIERSBBE, Warren W. Comentário Bíblico expositivo: Novo testamento vol2. Ed Geográfica. SP 2006p 431.
  5. CHAMPLIM, Russel Normam. Novo testamento interpretado versículo por versículo Vol. 6 (Tiago-Apocalipse). Ed Candeia. SP 1998p 1.
  6. BARCLEY, Willian. Comentário de Tiago. Tradução de Carlos Biagini.
  7. BARCLEY, Willian. Comentário de Tiago. Tradução de Carlos Biagini.
  8. CHAMPLIM, Russel Normam. Novo testamento interpretado versículo por versículo Vol. 6 (Tiago-Apocalipse). Ed Candeia. SP 1998p 1.
  9. BARCLEY, Willian. Comentário de Tiago. Tradução de Carlos Biagini.
  10. LOPES, Augustus Nicodemus. Interpretando a carta de Tiago (Novo Testamento interpretado). Ed Cultura cristã. SP 2006p 14.
  11. NEVES, Itamir. Através da Bíblia: Tiago. Radio trans mundial. SP.
  12. LOPES, Augustus Nicodemus. Interpretando a carta de Tiago (Novo Testamento interpretado). Ed Cultura cristã. SP 2006p 14.
  13. NEVES, Itamir. Através da Bíblia: Tiago. Radio trans mundial. SP.
  14. NEVES, Itamir. Através da Bíblia: Tiago. Radio trans mundial. SP.

COMUNICADO:

Os textos completos destas séries de sermões expositivos serão publicados e lançados em livro logo em breve.

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